Hora de Recomeçar

Após carreira em multinacional, jornaleira viu a sorte mudar. Vinte anos depois, ela ainda busca novas maneiras de atender os clientes

Quando a paranaense Maria Madalena Pereira, hoje com 56 anos, chegou a São Paulo, ela não tinha nenhuma intimidade com bancas de jornal. Trabalhou no comércio e chegou a fazer carreira em uma empresa multinacional, onde trabalhava no controle de qualidade. Até que se viu, aos 36 anos, desempregada e com dois filhos pequenos para criar. Maria enxergou no momento delicado uma oportunidade de empreender. Com a indenização, visitou bancas e não teve dúvida: era o que faria sua sorte mudar.

E mudou. Atualmente, a jornaleira tem uma vida relativamente confortável. Com a renda de sua única banca, saiu do aluguel de um apartamento na periferia para comprar uma casa em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, onde fica a Banca Dois Irmãos. O dinheiro que ganha com a banca garantiu o pagamento das faculdades de engenharia e de medicina de seus dois filhos. “Hoje, sou aposentada graças à banca, que me deu condições para contribuir para a previdência. É da banca que tirei meu sustento nesses 20 anos, o meu e da minha família”, conta.

Para garantir o sucesso do negócio, ela e o marido estão sempre pensando em novas maneiras de chegar até os clientes. Exemplo disso é o serviço Disk Banca, disponível para quem mora na região e procura por algum produto para ser entregue em casa. Na maioria das vezes, é seu marido quem faz a entrega, para não ter taxa de cobrança pelo serviço. “Não dá para ficar só esperando os clientes virem atrás de nós”, explica. “É importante que a gente esteja sempre aberto a outras estratégias.”

O contato com os consumidores também acontece via redes sociais e WhatsApp. Se alguém aparece querendofazer uma coleção, ela já tem o discurso pronto: “Pergunto se ele aceita fazer um compromisso comigo: me passa o contato e eu guardo todos os fascículos. Assim, o cliente se compromete em comprar comigo. Já explico sobre os preços e dou todas as informações nesse primeiro contato”, explica.

Em época de Copa do Mundo, ela também promove um clube de trocas de figurinhas, o que leva mais pessoas à banca. E envia produtos até para outros países, onde tem amigos e familiares, como Irlanda e Estados Unidos. Por isso, quando o assunto é crise ou dificuldades econômicas, ela não quer nem papo. “Para alguns, o país anda mal. Para mim, está ótimo. Sou muito otimista. Já passei por momentos difíceis, mas as vitórias foram maiores.”