Estratégia de sucesso

Além de oferecer títulos exclusivos, jornaleiro de Brasília reformulou sua banca e uniu alimentação à leitura para fidelizar clientes

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HÁ MAIS DE 15 ANOS, O BRASILIENSE LOURENÇO FAIAD DA CUNHA, 33, VIROU SÓCIO DA BANCA DE jornal que era de seu pai desde 1991, no Setor Bancário Sul de Brasília. Era apenas mais uma das dezenas de bancas “acanhadas” da cidade, como descreve o empresário. Mas, quando visitou São Paulo, em 2002, teve as primeiras ideias para reformular o negócio da família, investindo na troca da lataria e na ampliação do espaço, por exemplo. Hoje, é dono da maior banca da cidade, a Banca Brasil. “Em Brasília, as bancas se concentram nas quadras residenciais e têm cerca de 10 metros quadrados. A nossa tem 30 metros quadrados e está bem localizada, perto do metrô”, afirma.

Próximo à antiga sede do Banco do Brasil, ele tinha como seus principais clientes os funcionários do banco. Em 2014, porém, a sede do banco foi para a Asa Norte, outro bairro de Brasília. Atento a uma possível queda no movimento, quis abrir uma banca dentro do novo edifício. “Me disseram que não havia espaço para isso porque buscavam um negócio de alimentação”, conta Faiad. Foi quando enxergou uma oportunidade e comprou uma franquia de alimentação da Casa do Pão de Queijo. Formatou o negócio para colocar no mesmo espaço o café e outra banca.

“Os consumidores do prédio são meus antigos clientes. Ir até eles foi uma forma de manter a fidelização”, explica o jornaleiro. A estratégia deu certo. O faturamento de Faiad cresceu 30% com o novo ponto de venda de jornais e revistas. “O que atrai é a combinação de comida e leitura. É uma conveniência, já que as pessoas têm pouco tempo. Ali, elas pedem um lanche e compram uma revista para desestressar”, afirma.

Além de oferecer títulos exclusivos, jornaleiro de Brasília reformulou sua banca e uniu alimentação à leitura para fidelizar clientes. Para o empresário, a combinação “café com letras” é uma tendência na qual ele pretende investir.
“A banca tem um papel cultural na cidade, de fomento à leitura. A nossa mudou a rotina do pessoal. Tem quem saia de outros bairros e venha até a gente por conta da referência”, diz. Um dos diferenciais é o número de títulos: há alguns que são exclusivos. “Temos que nos reinventar, encontrar meios e atrativos para fazer as pessoas irem às bancas. É preciso inovar, acompanhar as tendências de mercado, ficar de olho no que se pode agregar ao negócio. E, principalmente, ser proativo, não esperar a oportunidade vir até você”, aposta. São ações que valorizam o serviço oferecido e estimulam ainda mais uma visita à Banca Brasil.