Clube da leitura

Para driblar desafios nos negócios, casal de jornaleiros focou em público infantil e transformou banca em um centro cultural

 (Isis Medeiros/Abril)

Um lápis com uma borracha diferente ou uma carteirinha na mochila de alguma criança de Itabirito, em Minas Gerais, já denunciam: ela faz parte do Clubinho da Banca, criado por Karenina Cruz, ao lado de seu marido, Antonio Senem da Cruz. A ideia surgiu logo que Nina, como prefere ser chamada, assumiu a Banca 1° de Maio e se viu diante de um desafio: a banca estava com restrições para comprar revistas. Investir em livros foi a solução para reerguer o negócio.

Por uma mensalidade de 20 a 40 reais, Nina vai à casa dos assinantes do clube e entrega um livro e um brinde. Para escolher a publicação adequada ao perfil de cada criança, ela recebe orientação pedagógica e psicológica. “Se uma mãe escreve que o filho não gosta de ler, mandamos algo sobre jogos, para que ele primeiro passe a gostar de receber o livro”, diz Nina, que também faz parcerias com comerciantes. “Ao apresentar a carteirinha, é possível receber brindes em lojas de roupas, promoções em lanchonetes descontos no curso de inglês, por exemplo”, afirma.

Em menos de um ano, o Clubinho da Banca já tem 110 assinantes de 1 a 15 anos de idade. O casal também conseguiu negociar com as distribuidoras e já opera normalmente. O espaço em frente à casa deles deu origem a uma livraria, onde realizam mensalmente eventos para as crianças do Clubinho, como contação de histórias, tarde de autógrafos e aula de piano. “Quando compramos a banca, muitas pessoas falaram que não ia dar certo, que todo mundo lia pela internet. Conseguimos incluir a banca na rotina da cidade.”

Em abril, o casal inaugurou sua segunda banca. “Fica no bairro onde está a maior quantidade de associados do Clubinho. Sentimos que essa região era mais carente de atividades”, explica. A ideia é levar conhecimento para a área e atrair um novo público. “Vamos sair um pouco do movimento central”, diz a jornaleira, que pretende expandir os negócios sem deixar de lado o atendimento personalizado. “Minha filha já perguntou se eu vou continuar fazendo as entregas pessoalmente quando hou- ver mais assinantes. E eu digo que sim. Ver uma criança esperando por você e por um livro na porta não tem preço.” A ação inovadora e o carinho com os clientes transformaram o negócio em um ponto de cultura na cidade, estimulando não só a visita às bancas como a leitura de jornais, revistas e livros.