Jornaleiro dos artistas

Bancas paulistanas atendem cantores, políticos, atores e atletas olímpicos que moram na capital

(Divulgação/Total Publicações)

 

Desde os 15 anos de idade, o jornaleiro Flávio Sanches Rodrigues, 39 anos, trabalha em bancas de revista. A primeira vez que teve contato com uma celebridade foi no começo dos anos 1990, quando Adriane Galisteu – na época, namorada de Ayrton Senna – foi à banca comprar revistas. O que denunciou a identidade da jovem modelo foi o cheque que ela entregou, assinado pela mãe. Os encontros do jornaleiro com famosos tornaram-se mais corriqueiros nos últimos 12 anos de trabalho na Banca Playboy, localizada na Praça Panamericana, no Alto de Pinheiros.

Fundada no fim dos anos 1970, ela já faz parte da história do bairro. “Estamos em um lugar bem estratégico, no coração de uma região nobre.” Entre as celebridades que costumam passar pela banca, estão os políticos Eduardo Suplicy e José Serra, os jornalistas Cléber Machado e Roberto Kovalic e a atriz Marisa Orth. “Alguns são muito carismáticos, outros, mais calados, educados. E, lógico, a gente tem que dar toda a atenção”, diz. E completa: “Muita gente sabe que artistas e políticos frequentam a banca, então é bom para o negócio e para o bairro”.

Mais privacidade

Se, de um lado, Rodrigues aproveita o movimento de curiosos que querem “esbarrar” com uma celebridade na banca de revista, de outro, o proprietário de banca Luciano Berthier Endres, 54 anos, oferece um ambiente mais tranquilo aos famosos. Ele e sua esposa, Cibele, conduzem há sete anos a Revistaria Pinheiros, localizada dentro do Esporte Clube Pinheiros, o maior clube poliesportivo da América Latina. Luciano atende diversos famosos – entre eles atletas olímpicos, atores e jornalistas. Segundo o jornaleiro, como a revistaria não está localizada na rua, é um ambiente muito seguro e familiar. “Nossa relação com os famosos é de muita gentileza e profissionalismo, pois todos – celebridades ou não – são igualmente bem tratados”, diz.

Quem conhece o Luciano sabe: ele é brincalhão, muito simpático e, acima de tudo, bem informado. É ele quem socializa em nome da revistaria. Chama muitos dos clientes pelo nome ou apelido, conhece suas famílias e sabe de todas as competições dos atletas do clube. Para Luciano, dois diferenciais conferem sucesso ao seu ponto. Ele acredita que todos os sócios do clube são importantes para seu negócio e quer garantir que sua banca seja um local amigável – um “porto seguro”. Atitudes que só valorizam o serviço oferecido aos clientes e que sempre estimulam uma visita à banca.